Mostrando postagens com marcador Intimidade Pública. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Intimidade Pública. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de agosto de 2009

À vontade

Quando se deixa o poeta à vontade é que ele sente ainda mais vontade de ser poeta.
Assim começo essas linhas como tantas outras que comecei sem saber, ao certo, onde parar.
Linhas são como copos d’água em mãos sedentas, como piscinas em tempos de verão que não se vê ou como coração em dias de cada dia.
Por isso agora podes ler essas linhas embebidas de desejos e vontades próprias, minhas próprias vontades.
Sou um amante dos extremos. O caminho do meio sempre me pareceu meio sem graça.
Em minha poesia, é esse sentimento que me norteia: Fazer o sul está na linha logo abaixo.
Frases que se encaixam uma a uma e palavras intrusas que as permeiam.
Onde mais sou eu de verdade?
Minha inquietação é frase incerta, palavras malditas ou qualquer coisa por menor.
Será isso tudo vontade de... VONTADE sempre ela. Percebe?
Em meus raros sonhos de poucas horas mal dormidas que, de tão leves, se confundem com a vigília, eu sonhei ou pensei:
Se posso ter a tudo e conquistar a tudo mais, quero trazer tudo comigo. Ter meu mundo no bolso...
Conhecê-lo ao fundo como conheço as cédulas da minha carteira vazia.
Saber que a vida não é feita só de passos adiante... A vida é uma caminhada e em todo caminho há retornos, curvas e placas caídas... Ah! há sempre gente pedindo carona também.
Descobrir que ser feliz é saber que se pode ser feliz quando se bem quiser e lembra disso a todo momento.
E depois escrever isso – o que eu bem entender - às quatro páginas do mundo afora pra aqueles que não entendem.

domingo, 19 de julho de 2009

Baboseira

Minha sala ampla é do tamanho do meu mau humor que não tem mais tamanho.
Cansado de tudo e de todos por todos parecerem iguais.
Vivo cada dia como se fosse o último, mas isso nunca acaba.
A morte é um descanso quando a vida é um descaso.

A vida é imoral e todos que sabem disso nada fingem saber.
Agem como se o passo seguinte fosse uma perseguição.
Cada um escreve sua história, mas falta criatividade em cada uma delas.
Uma delas é minha, as outras são deles e juntas são nossas.

Difícil é seguir a vida como se ela tivesse vontade própria.
Se a vida corre à rédeas soltas só significa que há rédeas e toda rédea tem sua função.
Imposição pra mim é a lei e toda lei deve ser imposta!
Que seja do meu jeito ou de outro, mas que seja como eu quero.

Que a noite escura seja, assim, escura por minha vontade.
E que o dia surja sempre ao mesmo horário por ser pontual o meu amanhecer.
Que eu acredite que só há desespero pra aquele que não sabe esperar;
E que eu nunca me desespere por esperar acreditar nessa baboseira.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Samba sem pé nem cabeça.

Quando os calores do peito vazio me lembram e acordam buscando por ti.
Quando tudo que é poderia ter sido de outro jeito.
Ah! Eu levanto da minha cama vazia, me viro e me deito cheio de mim.
Busco pela casa por cada incômodo olhar.
Busco pela vida que se foi quando disseras não voltar.
Que se foi porta aberta num incômodo olhar.
Quando tudo que se foi poderia ter sido, então, de outro jeito.
Isso é vida, linda morena, linda morena és a vida.
Minha vontade que se volta contra mim a seu favor.
Mas agora quem parte sou...Parto o meu coração.
Parto o espelho do quarto pra não mais refletir ,
Mas gravado está em mim e isso já está aos pedaços, doce morena.
Melhor que sejas assim quando de outra forma não pode ser e, então,
Qualquer dia desses ou em outro dia, desses, qualquer,
Tudo, linda morena, possa ser de outro jeito.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Divino erro


“A vida é leitura”. Disse-me um dia um amigo com o olhar cansado.
A vida foi escrita em linhas tortas e isso está claro e evidente em suas entrelinhas.
A divindade que a escreveu não me atribuiu tamanha divindade em ordená-las
E, por isso, tudo aqui parece, sempre, estar precisamente fora do seu lugar quando mais necessário se faz cada coisa.
O que posso eu fazer a não ser criar métodos e motivos tão tortos quanto as linhas escritas?
Só me resta a opção de enfileirar-me entre os que sempre se postam enfileirados
Seja lá pra onde for e por motivo qualquer.
Resta-me seguir a linha de raciocínio que já está divinamente escrita à espera dos tombos.
Por que eu deveria agir de diferente modo e da linha escapar?
Por que encarnar tamanha ingratidão filial perante o pai tão amoroso ao ponto de, a meu favor, despejar em mim todo o peso da sua cruz que por cima de si mesmo despencou?
Ser analfabeto é a maior das bençãos num mundo escrito às avessas.
Ser ignorante é o maior dos remédio para expurgar o mundo doente de dentro de nosso mundo.
Veja como os dias se sucedem como uma praga que se aloja no seio do enfermo mundo trazendo uma desgraça nova a cada nova aurora.
Repara como tudo parece seguir em frente como os sintomas do infortúnio terminal.
O sol que jamais denega a função de fazer febril um mundo já moribundo.
A luz que escapa do céu e te invade as janelas faz do céu um túnel e o iluminar uma luz.
O céu é um túnel e o sol a única garantia de um fim ordenado à se pôr.
Tu que credes na vida deveria viver e mudaria de opnião.
Acreditas tu em si mesmo e serás o mais ingênuo e o maior dos enganadores.
A vida é uma dose de whisk de qualidade duvidosa que se deve beber em gole profundo
E os que bebem-na em curtos goles se desesperam ao fazê-los numerosos ao infinito.
O amargor marcará cada um deles que, ao final, perceberá que nada ganhou ao encher o copo.
Perceberá que o valor da bebida é fazer-se embebida a consciência e entorpecida a compreensão.
Nenhuma vantagem há em manter o copo cheio, assim como não há em esvazia-lo.
Qual sentido então em existir copo e conteúdo? Conteúdo e continente?
Tudo é uma coisa só que juntas formam coisa alguma. Tudo isso não é nada!
Nada importa e por isso mesmo nada é digno de importância.
Tanto faz se vai ou se volta ou se torna a ir ou a voltar.
O ciclo é uma praga e é a praga um consolo ao dar cabo nesse imundo.
Achas que sou triste por dizer-te estas palavras que julga-as loucura cada uma delas?
Tolo! Como Pessoa, sou consciente e essa é a maior das felicidades que um peito pode conter e um estômago digerir.
Tenho consciência de que tudo que está aí está em seu lugar e eu sempre no lugar errado, pois independente de quais linhas escolher elas sempre serão divinamente tortas
E o erro divino é o mais terrível dos erros por divinos eles serem.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Apaixonado pelas paixões


Sou um apaixonado pelas paixões.
Um eterno graduado dos frios na barriga e dos calores no peito,
Sereno expectador da interna tormenta e
Admirador da minha estrada mesmo sendo ela estrada qualquer.
Sou pirata que rasga mapas e atira, longe, bússolas em toda e qualquer direção.
Não escolhi estibordo que nem sempre é um bombordo.
Na verdade, nunca escolhi nada.
Tudo foi seguindo suas correntes, as mesmas que me acorrentaram a esse destino que se fez meu.
Nadar contra a correnteza nunca me levou a lugar algum que não este.
Não sei o que o futuro me reserva ou ao que, inconscientemente, me destino,
Por isso pago o preço por cada dúvida malcriada, malpassada... Dívida enfim.
Hoje sinto uma paz que me tira a paciência talvez,
Mas sei que esperar o por vir é melhor que se desesperar em ver.
O que posso fazer? O que de fato pode ser feito?
Engoli muito a dizer, mas sinto já não ter estômago pra isso.
Há muito descobri que abrir mão dói no peito e que coração apertado sempre sai pela boca.
Aprendi a rir das tragédias da vida e ela tem me feito sorrir mais a cada dia.
Melhor deixar a vida se encarregar em ser vida e eu em suportar o seu fardo,
Melhor acreditar que tudo tem um propósito maior,
Melhor acreditar que por maior que ele seja que eu posso resistir a sua passagem
E que é melhor eu viver a minha vida e mesmo quando à parte eu estiver que seja na parte de dentro.
O que posso fazer? O que de fato pode ser feito?
Sou um apaixonado pelas paixões.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dias de paz

Auto retrato



Os dias de paz são todos iguais e
Um guerreiro só se sente feliz em combate.
Só o conflito acalma uma mente inquieta,
Só a trincheira acomoda um coração hostil,
E só a vida sacia um ser verdadeiramente vivo.
Serenidade é pra poucos e eu sou como muitos.
Muitos buscam aquilo que , por engano, acham.
Eu não procuro por nada, por isso não acho nada de coisa alguma.
Hoje sei que não devo nada rebuscar. Simples enfim.
Minha mente, a presa, plana como pássaro faminto à caça.
Meu coração bate forte pra tentar acordar a si próprio.
Sereno...? Só quando na noite o sereno vem.
Hastear bandeiras e enfileirar tropas é o ofício do general.
Invadir território inimigo já não me serve mais. Não me é servil.
Desbravar minhas próprias trincheiras. Eis a minha Santa Guerra!
Minhas frontes que suam, suam por serem frontes.
Meu prazer é ser vivo e como é difícil ser vivo a cada dia.
Prefiro o canto da morte à viver pelos cantos como um morto vivo.
Prefiro, apenas, ter dias diferentes à paz indiferente dos dias iguais.
Declaro guerra a mim mesmo e a todo o Pacífico.
Encontro no mais recôndito esconderijo da mente
Sinais mais claro e evidentes das minhas próprias mentiras.
Meu coração pulsa, minha mente pulsa, minha alma pulsa...
Mas com o pulso firme mantenho-nos pulsando.
Com o espírito inquieto abro trincheiras sucessivas,
Do coração distinto faço leal distintivo
E nos dias iguais faço da paz coisa diferente.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sangue vermelho barro

Vista da praça da Cidade de Cipó-Bahia


Minha palavra é de massapê.
Minhas estrofes, quem dera ser, poeira que o vento leva.
Minha origem é pó em si, Ci em Pó ou vice-verso.
Pó que faz do suor o belo e do suar a beleza.
Minha caatinga colorida em tons de cinza
É a minha força que açoita longe a erva danada.
Meu sertão amado feito um prato ao olhar do meio dia.
Meu chão quente como quente corre o meu sangue
Que se corre é por ter pressa em retornar.
Meu sangue é de barro da cor dos olhos sem pão.
Meu coração é casa de taipa onde caibo nele e ele em mim.
Sou frágil fortaleza que por ser frágil ainda mais fortaleza sou.
A vida me diz o tom e eu toco a prosa em frente.
É assim que se toca pelas bandas de lá.
Sou o juazeiro à beira da estrada, a macambira do canto da cerca, o juá que faz sombra na cancela aberta...
Sou a volta da labuta com enxada nos ombros e as costas arqueadas com o peso do mundo...
Sou do sertão e por isso meu verso certo é sertanejo.
Meu coração é casa de taipa, de barro é o meu sangue e
de massapê é a minha palavra.
Palavra forte sem frescor e sem frescura.

domingo, 24 de maio de 2009

Meu credo



Deus!
Nem lembro quando, para mim, passou a ter “D”.
Será que passou ou passou simplesmente?
Minha fé é a sombra do meu ceticismo
E o Senhor só me dá provas da tua inexistência.
Mas, mesmo assim, és tu que me dá tais provas.
Não me dá respostas mas, quem se não tu, elabora minhas perguntas?
É na ausência mais absoluta que te sinto presente.
É quando as folhas, ao vento, te acenam,
Que tu prestas homenagem a ti mesmo.
Eu sigo na estrada da minha vida.
Acreditando na dúvida e duvidando das certezas.
Tudo está certo. Tudo está em seu lugar.
O quê? Onde? Não sei...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Poeta amador

Sou um poeta amador. Escrevo sem técnica, sem apego.
O poeta escreve certo entrelinhas tortas.
Há muitas linhas a seguir e muito papel a interpretar
Cobrir o mundo de tinta é o que está na pauta.
Cobrir o mundo em tons grafite e embrulhá-lo fazendo o meu papel.
Sem borrões, mas se borrões houver deixo-o borrar
Há na vida papel pra todo mundo.
Sou um poeta amador. Amo a vida, o papel, a tinta ...
Apaixonado por refletir na superfície branca minhas mais profundas sensações.
Sinto a vida da minha forma, da minha maneira. Eis o meu papel!
Subo e desço quase sempre afastado da margem, mas atravesso se preciso for,
Como se preciso fosse.
E, se for, sei voltar na hora que precisar. Como se preciso fosse.
A cada poema sou, eu, novo em folha.
Eu e minha impressões remamos na mesma direção pra que o barco faça algum sentido.
Sou um amador!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Comumente

Acredite, eu não minto.
Apenas penso, digo e faço aquilo que tenho em mente.
Em mente a cada instante.
Minha verdade é eternamente circunstâncial.
E cada uma delas tem sua hora contada em segundos...
Minha opnião é tropa em frontes diversos.
Ela é mutável, por isso é mais verdade a cada momento.
Não é falta de personalidade é personalidade em demasia.
A noite e o dia alternam-se, mas a noite não é um dia obscuro,
Tampouco o dia é uma noite clara. Não, não é.
Estando a anos-luz as coisas parecem claramente distantes.
Na escuridão da noite o algodão continua a ser alvo.
Minha mente não é alvo fixo ou coisa permanente.
Mudo a cada momento para ser o mesmo em todo e qualquer instante.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O vento sempre está a favor de quem sabe mudar a direção.

“Esse menino não pára de inventar arte”, “ Ele tem um sério problema de audição: Só ouve o que lhe interessa”...

Assim dizia a minha avó quando ela achava que adiantava dizer alguma coisa. Ela continua dizendo, mas como não tem esperanças de ser ouvida, isso faz de mim um excelente ouvinte. Devemos prestar atenção nas pessoas e nunca dar-lhes atenção. Como podemos dar a alguém aquilo de que tanto precisamos? Devemos escolher nosso caminho com paciência e naturalidade. Isso implica achar natural o voltar atrás e escolher um outro caminhar. Se há mais de uma trilha significa que alguém já se arriscou antes pela alternativa. Podemos fazer o mesmo, criar a nossa própria ou, ainda, ir alternando...

Nunca aceitei a idéia de ser uma coisa só. Tudo é muito pra ser tão pouco. Temos que escolher a profissão certa pro resto de nossas vidas e, não nos resta escolha a não ser escolher e rápido. Temos mil possibilidades e somos tão miúdos perto da gente mesmo. Uma reta é a menor distância que nos liga a um erro. Não temos asas porque podemos criá-las. O rio acerta sempre seu caminho porque não tem nenhum pudor em curvar-se perante as insinuações com que se depara, muito menos de levar consigo tudo aquilo que pode ser levado. O rio sabe onde vai e por isso não se assusta com as quedas d’águas. Já viu um rio triste por não ser perene? Ou uma nascente frustrada por não ser foz?

A gente segue, em frente, seguindo pegadas, acreditando que insistindo no caminho errado ele se tornará correto; perseguindo o determinado acreditando que, um dia, se consiga acertá-lo em cheio e vencê-lo pelo cansaço; criando raízes em solo infértil e deixando nossos cactos pelo chão. Esquecemos que se na chegada tem uma parada, podemos a qualquer momento chegar e escolher outra jornada. Os incomodados que emudeçam e deixem que mudo eu.
A melhor maneira de se calcular o percurso é não esperar a chegada do resultado. Deixar que o mundo gire e se encarregue de ser mundo. Deixar que aconteça a vida e vivê-la, se respeitando e tendo boa vontade própria, sabendo que somos um, que o tempo passa e, logo, temos que ser um a cada tempo. Entender que ser o mesmo é ser diversos e que especializar-se nas generalidades é natural do gênero humano.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mesmice e redundança

Esse texto foi produzido por Josenilson, Lord Biscoito, irmão que fiz na faculdade de Engenharia. Tão irmão que permitiu que eu destilasse um pouco de minha irônia em seu texto, eu "detextaria" que alguém fizesse isso com um texto meu. Rs...Valeu pela colaboração, meu velho. Estamos precisando tomar aquela mesma bebida e gelada do mesmo jeito como sempre...Rs. Mais uma vez, obrigado pelo apoio!

Despertador tocando, são cinco horas da manhã. É hora de levantar e começar a rotina. Isso se repete todos os dias. Será mais um dia de trabalho e estudos. Vou pegar o ônibus e encontro os mesmos amigos que pegam o mesmo ônibus todos os dias no mesmo horário. A mesma dança de passos marcados. Entro no ônibus que segue a mesma rota todos os dias. Do nada um diz: “o sistema é bruto”, o outro concorda. Mudou o rumo da prosa, agora é sobre futebol, depois sobre violência ou qualquer outro tema previsível. Sempre a mesma conversa paralela que, por ser paralela, nunca me toca. Meu despertador desperta bem mais a minha atenção. Às vezes não concordo com algumas coisas, outras tantas com nada, mas prefiro ficar calado, afinal, quando um não quer dois não falam besteira. Por que tudo se repete todos os dias? Durante o dia de trabalho, problemas e mais problemas para resolver. Por que os problemas não são os mesmos? Pelo menos os meus não são, senão eu teria logo a solução: A mesma solução de sempre. Quem quer mudanças? Quem quer mudar? Quem consegue esperar? Quem agüenta esperar? Pra começar, não quero mais do mesmo, quero mais do novo. Estou cansado de sempre correr atrás das coisas, agora quero correr ao lado delas. Como sempre, só eu pareço pensar assim...

A vida é um poema comprido e de métrica complicada, quase nunca rima, mas, diferente dos textos, é cheia de pontos finais.É preciso estar atento sobre nosso papel nisso tudo. É triste que se perca tanto tempo querendo obter resultados diferentes somando parcelas iguais. " A repetição leva a excelência", mas ao repetir sem pensar corremos o risco de não pensar com perfeição. Se a vida é um poema, prefiro ser como sempre fui: Eu diversos!

sábado, 18 de abril de 2009

Chegar ao ponto de corrida

“Lá é maravilhoso, para passar uns dias, mas não sei como alguém pode suportar viver, ali, naquela mesmice” Ouvi essa frase, dita cheia de segurança e pronta pra convencer o mundo, na fila do caixa eletrônico, de um homem que aparentava uns 40 anos e conversava com outro que espelho parecia. É incrível como a polêmica anda solta pelo mundo esperando por alguém que a perceba, para isso, ela pega até fila de caixas eletrônicos. Na fila, Ambos os homens estavam a minha frente e a polêmica estava ao meu lado. Eu acabava de sacar tudo...
Como um lugar maravilhoso pode ser maravilhoso por apenas uns dias? Pensei: O que faz do paraíso um inferno em tão pouco tempo? Será a “mesmice” do paraíso ou o inferno inquietante que arde dentro da gente? E como alguém pode afirmar uma coisa de forma tão categórica se o que é afirmado não passa de uma simples opinião? O que mais vemos no mundo são línguas cuspidoras de axiomas e mentes apóstolas de seus próprios postulados. Verdades absolutas que, por preguiça de pensar de quem fala e de quem ouve, parecem saltitar demente em mente.
A gente, gente das metrópoles, acha que ser feliz é ter grana, carro importado, apartamentos com vista pro mar, fazer parte e inventar eventos sociais, jantar em caros restaurantes, consumir em shoppings centers e ser chamados de doutores. Títulos, títulos... Esquecemos de pensar que, dessa forma, passamos tanto tempo correndo atrás de tudo isso que, mesmo quando as conseguimos, sequer temos tempo pra aproveitá-las. O que mais vemos são “bem sucedidos” que nunca terão dinheiro suficiente pra comprar a felicidade, que andam em carrões mas não conhecem outros caminhos pra caminhar, tem vistas maravilhosas pra admirar e enxergam menos de um palmo a frente do nariz de cera, que nunca perceberam a brisa que a brisa tem, que comem e não sentem o gosto da comida e, por isso, consomem ainda mais e mal. Isso é ser feliz? Acumular e só? Estão, esses, cada vez mais sozinhos tendo a companhia de analistas pelos consultórios à dentro.
Não se quer aqui fazer apologia à pobreza. Conforto é bom e todo mundo gosta, mas o mundo tem muito mais coisa a oferecer e se pode gostar de muito mais. Uma coisa, porém, é certa: É normal viver correndo sem parar pra poder parar um dia? Faz sentido viver se matando pra ter uma morte tranqüila? Farto, fazer do peito um trevo de frustrações e agonias ligadas por uma ponte de safena? Ter um milhão de problemas por procurar a“ tal” solução? Stress loucura ou não? Sim ou não? Hã?
A loucura vicia e todo vício faz mal. O sossego faz mal aos desassossegados, a simplicidade incomoda aos incomodados, o silêncio amplifica nosso pensamentos e como pensamos besteira o silêncio é mal, gente que pisa o chão descalço é triste aos olhos de quem pisa em toda gente, o pôr do sol é sem graça pra quem não tem a menor graça e a lua cheia em noite escura não é nada demais pra quem tudo já é escuridão, obscuridade.
Correr... Correr... Correr... Consumir... Consumir... Sumir... Se não estivermos atentos passamos de transeuntes a trânsito com toda a velocidade. Precisamos estar atentos pra não sermos pegos de surpresa perseguindo o ponto de partida, pra não nos fazermos estranhos a nós mesmo, pra não pensarmos como se não pudéssemos pensar, pra não pegarmos fila e filássemos a vida por muito pouco a troco de nada...
Que demora desse tio em sacar a $$##@%#%%$ desse dinheiro e, ainda por cima, trás mil contas pra pagar no caixa eletrônico...Arg!!!